Wednesday, July 23, 2014

Estudos em aguarela / Garden watercoulor sketches

A trabalhar de novo: estes três estudos rápidos mostram um mesmo jardim. Estou a tentar escolher a melhor perspectiva para depois fazer uma pintura a aguarela. Não está a ser fácil, pois o jardim é muito bonito e gosto de todas elas...

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Working again: these are three rough sketches of the same garden. I want to make a watercolour painting and am trying to decide which perspective to use.
Having a hard time, as I like them all...

Saturday, April 26, 2014

Um jardim selvagem / A wild garden

Descobri, finalmente, o blog que responde aquilo que andava há anos à procura. Chama-se Jardim Autóctone e descreve o dia-a-dia da criação e manutenção de um jardim feito à base de plantas nativas do nosso país. Em Portugal ocorrem milhares de plantas silvestres lindíssimas, que não ficam nada atrás - e muitas vezes ficam até muito à frente - das plantas exóticas que normalmente se usam em jardinagem. Sempre me intrigou porque razão não são mais usadas. Para além de serem bonitas e de fornecerem alimento e abrigo a muitas espécies de animais, têm a vantagem adicional de se terem adaptado, durante milhares de anos, às nossas condições de solo e clima, pelo que são naturalmente resistentes e necessitam de poucos cuidados. O ideal para uma jardineira preguiçosa com pouco tempo como eu...
Rosmarinus officinalis

O meu jardim não é um jardim autóctone, mas gosto de pensar que para lá caminha. Entre outras, tem lilases e sardinheiras, crisântemos, narcisos e crocus. Mas também tem uma madressilva, recolhida no monte há dois anos e transplantada com sucesso. Está à espera de mais companheiras, mas este ano falhei a época e acabei por não recolher mais... Tem estevas e giestas,rosmaninhos (aqui conhecidos como arçã), alecrins, estevões e outras duas espécies de cistaceas ainda por identificar. Tem as lindíssimas, embora venenosas, eufórbias (E. oxyphylla). As mais recentes aquisições, todas elas recolhidas nas redondezas, foram as pascoelas (nome pelo qual são conhecidas nesta zona as prímulas), as violetas e dois medronheiros - já há uns anos havia plantado um, mas sem sucesso, vamos ver se desta vez tenho mais sorte.
Primula acaulis
 
Uma coisa é certa, a utilização de plantas autóctones - desde que compradas em locais de confiança ou recolhidas sem prejuízo para as populações silvestres, tem inúmeras vantagens. As plantas compradas nos hortos convencionais, pelo contrário, para além de serem frequentemente exóticas, exigirem mais cuidados e ficarem mais caras, podem ter outros problemas. Um estudo encomendado pela GreenPeace mostrou que uma grande percentagem das plantas ornamentais de uma amostra recolhida em centros de jardinagem e supermercados europeus não respeita a legislação que regula o uso de pesticidas nocivos, entre outras espécies, para as abelhas. Podem ler o artigo (em inglês) aqui e fazer o download do estudo aqui. Portugal não se conta entre os países onde foram recolhidas amostras, mas Espanha, França e Holanda, sim, entre muitos outros de onde importamos plantas ornamentais. Portanto, amigos jardineiros, na hora de comprar as vossas plantas, sejam cuidadosos. Em Portugal há hortos e empresas que cumprem todas as regras e ainda vão para além delas. Um exemplo - que estou á vontade para publicitar, pois não ganho nada com isso - é o Cantinho das Aromáticas, onde são vendidas plantas envasadas produzidas em regime de agricultura biológica, muitas delas pertencentes à nossa flora.

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Euchloe crameri on gum rockrose fruit

I have finally found the blog I've been looking for since a long time ago. It is called Jardim Autóctone and describes the creation and maintenance of a garden made up of Portuguese native plants. There are thousands of beautiful native plants in our country, some of them so much lovelier than the exotic ones usually grown in traditional gardens. I've wondered many times why they are not used more often. In addition to being pretty and serving as food and shelter for many animal species, native plants have evolved for thousands of years in this area, so they are perfectly adapted to our soil and climate conditions, meaning they are naturally resistant and they require little care - the perfect thing for a lazy busy gardener like me...
Euphorbia oxyphylla

My garden is not an indigenous garden (yet), but I like to think it is developing in that direction. Among others, my garden hosts lilacs and geraniums, chrysanthemums, daffodils and crocus. But it also has a honeysuckle, collected two years ago in the wild and now waiting for company (this year I failed to go into the field on time and get a few more). I also have gum rockroses and gorse, rosemary, poplar leaved rockroses, also known as major rockroses and two other cistus species yet to be identified. My most recent acquisitions, all of them collected nearby, are primulas, violets and two strawberry trees - I had already planted one a few years ago but it did not survive, let's see if this time I have more luck.

One thing I know for sure, the use of native plants - as long as they are purchased from reliable stores or collected without harming wild populations - has multiple  advantages. Plants purchased in traditional orchards, on the contrary, besides being often exotic, expensive and demanding more attention, may have other problems as well. A study recently undertaken by GreenPeace showed that the majority of a sample of ornamental plants sold in European garden centres and supermarkets do not comply with the legislation that regulates the use of bee-killing pesticides. You can read the article here and download the study here. Portugal is not among the countries where samples were collected, but Spain, France and Holland, among many others from which we import ornamental plants were included. Therefore, fellow gardeners, when the time comes to buy your plants, be careful. In Portugal there are nurseries and companies that meet all the rules and even go beyond them. An example - I am feel free to advertise as I am not getting an profit here - is the Cantinho das Aromáticas, that sells organically grown potted plants, many of them belonging to our native flora.

Friday, April 18, 2014

A Horta em Abril / Vegetable Garden in April



Primavera é sinónimo de início de trabalho a sério na horta. Agora que temos uma estufa, podemos começar um pouco mais cedo (aqui no nordeste, as geadas prolongam-se pelo mês de Abril fora, pelo que, antes de termos estufa, só começávamos a tratar da horta em Maio - um enorme contraste relativamente ao resto do país!).
Em meados de Mao começámos a preparar o solo no interior da estufa e fizémos as primeiras sementeiras: 3 variedades de alface, couve-roxa, tomate-coração-de-boi (o nosso preferido, pelo sabor e polpa abundante) e cebola.
Lá fora, transplantámos outras cebolas, que tinham sido semeadas ainda mais cedo e estado a crescer na estufa durante o inverno (reparem bem no meu "plantador" especial... é um pauzinho aguçado encontrado por ali, mas que faz o seu trabalho tão bem como aqueles todos bonitos que se vendem na loja).
Também semeámos ervilhas e grão e arrancámos as ervas que quase escondiam os canteiros dos alhos, dos morangueiros e das favas.
Já próximo do final de Março, plantámos tomateiros e pimenteiros trazidos do sul do país pelos meus pais (aqui só começam a aparecer mais tarde) e semeámos feijões, tudo dentro da estufa, claro está, caso contrário seria morte certa pelo frio...
Finalmente, hoje comprei sementes de milho doce e rabanetes (estes últimos vão ser uma estreia), que planeio semear esta semana, juntamente com alguns espinafres, que sobraram do ano passado. 
Para além da horta, a Primavera mostra-se em todos os cantos: nos marmeleiros carregados de flores, na figueira cheia de minúsculos frutos - que contraste com estes, no jardim do Zé Júlio, no Algarve! Rezo para que uma geada não os leve a todos (e a mais outras coisas: morangos, cerejas, ginjas, etc....) Nesta altura do ano penso sempre no tempo (que não foi assim há tanto tempo) em que as pessoas dependiam da terra para se alimentarem e  numa única noite de gelo perdiam quase tudo. Aquilo que hoje, para nós, não passa de um contratempo, podia significar, nessa época, muitos meses de fome ou subalimentação...

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The beginning of spring means it is time to get serious about the vegetable garden. Now that we have a greenhouse, we can start a bit earlier. So on 12th March, we started preparing the soil inside the greenhouse and we have sown the first seeds: 3 varieties of lettuce, red cabbage and Beefsteak tomatoes (our favourite because of the great flavour and abundant flesh).  

Outside, we have transplanted onion shoots that have been growing since winter (take a look at my special "planter" in the Portuguese version above - a small pointed stick does the job just as well as the store bought thing) and sown peas and chickpeas. We also started weeding the garlic, strawberry and fava bean beds. 

By the end of the month, we planted tomato and pepper seedlings brought by my parents from the south of the country (it is too early yet to find them on sale here in the northeast) and we have sown beens too.
Today I bought some sweet corn and radish seeds and plan to sow them this week, together with some leftover spinach seeds from last year. Then we'll be transplanting some Cherry tomatoes that grew up inside the greenhouse (they've been growing on their own like weeds ever since we have sown them for the first time, several years ago, so every year we leave a few plants, whenever they sprout on a convenient spot, or transplant them to a better one, if that is not the case).
Everywhere spring is showing at its best: the quince trees in full bloom, the fig trees with the first tiny fruits. I am praying the weather will keep mild, as April frosts are not uncommon around here but if they come too harsh, they can destroy the fragile figs, not to speak of other crops. This always makes me think of the - not so long ago - times when people depended on their land to feed their families and bad weather, instead of being just a nuisance, as it is for us, could mean several months of hunger...

Friday, March 21, 2014

Top 10 Greeting Card Experts Online, 2014: Green Initiatives

http://www.greetingcarduniverse.com/community/store.asp?store_id=392&gcu=41346466001&mid=cwu

Acredito que quando se decide aceitar, ou não, um novo trabalho, vários pontos devem ser tidos em conta. Para além da questão evidente do dinheiro - afinal, quer gostemos quer não, todos temos contas para pagar - há a considerar o investimento de tempo que nos exige, o desenvolvimento profissional e a satisfação pessoal que nos proporciona e, intimamente ligada a esta última, os princípios éticos que o regem. Por isso, antes de tomar uma decisão acerca de um potencial novo trabalho, faço-me sempre muitas perguntas: vou aprender coisas novas, melhorar o meu currículo, fazer contactos úteis? Vou chegar ao final do dia com a sensação de ter feito algo que valeu a pena? Está este trabalho e a pessoa/empresa para quem o farei, de acordo com os meus valores e princípios éticos? Já recusei trabalhos por não preencherem esta última condição, recusei outros que preenchiam todas, excepto o facto de me obrigarem a passar demasiado tempo longe da família. E aprendi que é melhor viver com menos dinheiro, mas mais satisfação pessoal, tempo para aqueles de quem gostamos e uma consciência tranquila. Foi por isso que hoje, ao ler esta notícia, fiquei muito satisfeita por confirmar que uma das empresas para quem trabalho, embora me proporcione rendimentos diminutos, se encontra entre as mais amigas do ambiente, dentro do seu ramo de actividade.
Parabéns, GCU!

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I believe that when deciding about accepting or not a new job, several things should be weighted. Apart from the obvious income side of the question - we all have our bills to pay, whether we like to or not - there other things to ponder: time investment, professional growth (will I learn new skills, improve my CV, make useful contacts?), personal satisfaction (will I arrive to the end of the day with the feeling of having made something worthwhile?) and, closely linked to this, integrity: is the work I am doing and the people/company I am doing it for in accordance with my values and ethics? I have turned down jobs in the past because they did not fulfill this last condition. And I have turned down others that fulfilled all of them but would take away too much time from my family. And I have learned it is better to live with less income but more personal satisfaction, time for the ones you love and a clear conscience. All this to say that today I was very happy to read this news, confirming that I am working for one of the top eco-friendly businesses in their field, even though the income I earn from it is really minor:

Congratulations, GCU!

Sunday, February 23, 2014

Bálsamo Labial - uma receita para fazer em casa / Home Made Lip Balm Recipe

Comecei, finalmente, a experimentar algumas das receitas que encontrei no livro da Bea Johnson  Zéro Dechet / Zero Waste Home, sobre o qual escrevi no post anterior.

E a primeira foi um bálsamo caseiro, que ela aconselha para os lábios, unhas, "pés de galinha", maçãs do rosto... Eu achei-o particularmente bom para ser usado como bálsamo labial, e por isso, depois de experimentar a receita-base, resolvi dar-lhe um toque pessoal e acrescentar-lhe um pouco de cor.

Fiz várias experiências, testando primeiro sumo de beterraba, depois xarope de groselha, e por fim pimentão doce em pó como corantes naturais. O pimentão foi, de longe, o mais bem sucedido, pelo simples facto de se tratar de um pó. Os outros dois, como são soluções aquosas, não são miscíveis com a gordura e torna-se necessário continuar a mexer a mistura durante o processo de solidificação, o que é pouco prático e não permite conseguir um produto totalmente homogéneo. A alternativa seria usar um agente emulsificador, mas isso será para futuras experiências.

A imagem abaixo mostra os quatro resultados, da esquerda para a direita, e de cima para baixo: o bálsamo de groselha (este ficou com sabor a doce!), o de beterraba, a receita base e a do pimentão doce.

Como a autora tem as receitas disponíveis no seu blog, eu publico aqui a receita modificada que utilizei. E é mesmo muito simples:

Ingredientes: 
1 colher de sopa de cera de abelha
4 colheres de sopa de óleo de girassol
1/2 colher de café (mal cheia) de pimentão doce em pó
Procedimento:
Juntar todos os ingredientes e aquecê-los em banho-maria, até a cera derreter. Misturar bem, tirar do lume, filtrar com um passador metálico e deixar arrefecer. Está pronto!


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I've finally started trying some of the recipes I found in Bea Johnson's book Zéro Dechet / Zero Waste Home that I wrote about in my previous post.

The first one I tried out was a home made balm, that Bea says can be used as a lip balm, but also for the nails, around the eyes, on your cheeks... I found it particularly good as a lip balm and after trying her recipe, I decided to tweak it a bit and add some colour to it.

I tried several natural colourings: beet juice, red gooseberry syrup and red paprika (the mild variety!). Red paprika gave by far the best results because it is powdered, while the others are aqueous solutions and therefore do not mix with the oil - in order to get an even blend, I needed to keep stirring while the mixture was cooling and even so I did not achieve a complete blend. The alternative would be to use an emulsifier, but that is something I'll try in future experiments.

The picture on the top shows, from left to right, top to bottom: the red gooseberry syrup coloured balm (this one smells like candy), the beet coloured balm, the original, not coloured, recipe,  and  the red paprika coloured balm.

Because the author has the recipes available at her blog, I am publishing here the altered recipe I used. It is really very simple:

Ingredients:
1 table spoon beeswax
4 table spoon sunflower oil
1/2 tea spoon red mild paprika
How to:
Combine all ingredients and melt the mixture in a water bath. Stir to  blend well, remove from heat and filter using a mesh strainer. Let it cool and it is ready to use!

Tuesday, February 18, 2014

Um livro e um esfregão da louça / A book and a dish scrub



Acabei há uns dias de ler o livro Zéro Déchet, a  tradução francesa do livro de Bea Johnson Zero Waste Home: The Ultimate Guide to Simplifying Your Life by Reducing Your Waste.

Foi no blog da autora - Zero Waste Home - que fiquei a conhecer o livro e que me dei conta de algo que já suspeitava: que afinal, não era assim tão "verde" como isso... Esta históia fez-me repensar seriamente a quantidade de lixo gerado pela minha família e o impacto ambiental por nós causado diariamente.  Como resultado destas leituras, já implementei algumas mudanças nos nossos hábitos, mas ainda pretendo fazer mais. Estamos ainda (muito) longe de produzir zero resíduos (ou cerca de um litro por ano, como a família da autora), mas acredito que quiasquer pequenos passos na direcção correcta valem a pena, pois ir-se-ão acumulando ao longo do tempo. E o que não falta neste livro são dicas, ideias e receitas para o conseguir. Algumas não são possíveis para mim, outras não fazem sentido no meu caso particular e outras, ainda, são talvez demasiadamente radicais, mas irei sem dúvida experimentar várias.

Aqui estão duas actualmente postas em prática:
- Se bem que há muitos anos que levava os meus próprios sacos de plástico quando ia ao supermercado, passei também a levar sacos para a fruta e legumes, e caixas de vidro com tampa para as compras no talho. Também recuso os sacos nas outras lojas (de roupa, farmácia, livraria, etc.) excepto em casos muito especiais (tenho que melhorar isto)
-Acabei com os esfregões da louça sintéticos, de que nunca gostei. Agora uso um de metal, para as coisas difíceis, e fiz um de lã, pondo a uso os meus dotes de crochet que uso tão raramente. São mais saudáveis, biodegradáveis e baratos.

Estas estão na minha lista de ideias a tentar proximamente:
- Rimel caseiro
- Creme caseiro
- Cola caseira

Uma das principais lições que retirei deste livro foi que para além dos três "R" (Reduzir, Reutilizar, Reciclar), há um outro, talvez o mais importante, e que deve vir primeiro que os restantes: Recusar. Porque produzir menos lixo resume-se muitas vezes a recusar a sua entrada nas nossas casas. Mas a sobre-utilização, sobretudo do plástico, mas também do papel, está tão banalizada, que algo tão simples como recusar este excesso acaba por se tornar difícil, a menos que façamos um constante esforço para estarmos conscientes daquilo que aceitamos e trazemos para casa.



I've just finish reading Zéro Déchet, the French translation of Bea Johnson's book Zero Waste Home: The Ultimate Guide to Simplifying Your Life by Reducing Your Waste.

I first heard about this book while reading the author's blog  Zero Waste Home which was my first wake up call to realise I was no as "green" as I used to think... Bea's story made me rethink the amount of waste that my household produces and the kind of environmental impact I make, every day. I already made a few changes in my life as a result of this read, and I still want to implement more changes. We are (very) far from producing zero waste (or a one liter size jar of garbage per year, as her family does), but I firmly believe that any small steps in the right direction will add up in the long run and are therefore worth a try and Bea's book is full of tips, ideas, and recipes. I will not adopt all of them - some are not possible for me, others do not make sense in my particular case and still others I find too extreme - but I will definitely try several of them. 

These are two already ongoing ones:
- I am bringing my own containers when purchasing some kinds of food to avoid bringing more plastic bags into my home. I already used reusable bags for supermarket shopping, but now I'm also bringing my own bags for fruit and legumes and glass containers for meat. And I also refuse bags when shopping for clothes, books, or other items except for very special situations (I still have to improve this, anyway)
- I decided to ban synthetic dish scrubs (I never actually liked them) and I made my own using my seldom used crochet skills. They are healthier, cheaper, and made of natural biodegradable wool.

And these are on my list to try:
- Home made mascara
- Home made balm
- Home made glue

One of the main lessons I took from this book is that in addition to the 3 "R" (Reduce, reuse and Recycle), there is another "R", probably the most important of all and which should come first: Refuse. This is because producing less waste often resumes to prevent it from entering our homes. The problem is that the over-use of plastic (mainly) is so common nowadays that one must be constantly alert to avoid it from surreptitiously entering our lives.

Thursday, January 2, 2014

Resoluções de Dia Novo / New Day Resolutions


É isso mesmo, dia novo, e não ano novo. Nunca fui de fazer resoluções de ano novo, a não ser, muito recentemente, aderir a uns desafios de leitura lançados pelo GoodReads no início de cada ano (não conhecem o GoodReads? Se gostam de ler, vão lá, que não se arrependem). Acho que ainda não consegui cumprir nenhum... O que reforça a minha ideia de que isto de resoluções de ano novo, não é lá grande ideia, pelo menos para mim.
Traçar objectivos a longo prazo torna-os distantes e leva-nos a adiamentos sucessivos. O primeiro adiamento começa logo na altura da resolução: muito bem, isto ainda não é para já, é só para o ano novo. O dia 1 de Janeiro, convenhamos, também não é o mais propício à implementação de novos desafios. Muitos de nós passaram a noite a festejar, deitaram-se tarde e acordam para uma casa desarrumada. Outros têm familiares ou amigos em casa, para outros, ainda, é dia de viagem de regresso. Para os que têm filhos, os primeiros dias de Janeiro são os últimos dias das férias escolares, depois vem o regresso às aulas. E por aí fora. 
 
Isto para não falar do calendário propriamente dito – porquê celebrar o início de um novo ano no dia 1 de Janeiro e não noutra data qualquer, seguindo um outro calendário (chinês, solar...).
A vida vive-se um dia de cada vez, e por isso mesmo, o que me faz sentido (e evita frustrações de resoluções e objectivos por cumprir) é procurar viver cada dia, o mais possível, de acordo com aquilo que é mais importante (e que será, inevitavelmente, diferente para cada um). Isto implica fazer escolhas, todos os dias, porque todos os dias são dias novos. Por isso:
Hoje, quando acordar antes do despertador tocar, não vou ceder à tentação de me virar para o outro lado e dormir mais um bocado. Vou-me levantar e aproveitar o silêncio e a calma das primeiras horas do dia, para tomar o pequeno almoço da maneira que mais gosto: devagar e na companhia de um bom livro;
Hoje, vou andar a pé: no campo, em redor de casa, ou na cidade, saindo 10 minutos mais cedo que o habitual e deixando o carro mais longe do destino, obrigando-me a caminhar. Se fizer isto repetidamente, acabarei por criar um hábito e a longo prazo melhorarei a minha saúde e contribuirei um pouco para um melhor ambiente, ao mesmo tempo que pouparei algum dinheiro em combustível;
Hoje, quando estiver a trabalhar, vou fazê-lo com empenho e abertura de espírito para ver tudo quanto ele tem de bom e de interessante, de que forma o posso fazer melhor e tomar nota de aspectos que gostaria de desenvolver mais, através de pesquisa ou valorização profissional. Se fizer isto de forma regular, vou ser mais produtiva e melhorar o meu currículo, o que só poderá ter boas consequências, nem que seja andar mais satisfeita comigo própria;
Hoje, quando passar pela pastelaria, vou dizer não ao bolo e ao café, e enfiar a mão no saco, onde coloquei uma fruta suculenta ou uma bolacha caseira. A longo prazo, os meus dentes vão agradecer, e a minha carteira também.
Hoje, quando me apetecer ceder à preguiça e sentar-me no sofá a olhar para a televisão, enquanto as crianças se preparam para fazer o mesmo no computador, vou convidá-las para jogar um jogo comigo, para lermos um livro em conjunto ou fazermos um cartão para um familiar que vive longe. Aos poucos, vou contribuir para o seu desenvolvimento mais saudável e fortalecer relações familiares;
Hoje, vou fazer uma lista de compras para a semana, olhando primeiro para o que temos no frigorífico e na despensa, e depois para os folhetos dos supermercados, procurando tirar partido de algumas promoções em vigor. Dá algum trabalho e requer algum tempo, mas vale a pena, pois garante uma série de refeições mais saudáveis e a preços mais convenientes, aproveitando alimentos que já existem em casa e poderiam vir a estragar-se por falta de utilização atempada.
Esta lista poderia ser mais longa, mas o importante é que esta noite, quando me for deitar, vou pensar no dia que passou e sentir-me satisfeita por ter dado mais alguns passos, mesmo que pequenos, na direcção que escolhi: uma família unida e saudável, um trabalho gratificante, um ambiente um pouco melhor e um futuro economicamente mais estável.
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That's not a typo, I did mean new day, not New Year resolutions. I've never had the habit of making New Year's resolutions, except for – and only very recently - joining an annual reading challenge launched by GoodReads at the beginning of each year (you do not know GoodReads? If you like to read, go there, you'll not regret it). Well, I've never managed to meet any of these... which reinforces my idea that New Year's resolutions are not such a great idea, at least for me.


Setting long-term objectives makes them distant and unreal and leads us to repeated postponements. The first postponement starts right at the time of the resolution: this is not for now, just after the new year begins, right? ThenJanuary 1 comes, and let's face it, this is not the most adequate day for implementing new challenges. Many of us spent the night before partying, went to sleep late and woke up to an untidy house. Others have family or friends at home, still others are travelling back to their own homes. For those who have children, the first days of January are the last days of school holidays, then it's back to school time, time to re-adjust daily routines...
Not to mention the calendar itself - why celebrate the beginning of a new year on January 1
at all and not on any other date, following a different calendar (Chinese, solar ... )?


We live our lives one day at a time, and therefore, what makes sense to me (and avoids frustrations of unfulfilled resolutions and goals) is to try to live every day as much as possible, according to what is most important (which will inevitably be different for each person). This involves making choices every day, because every day is new day. This is why:


Today, when
I wake up before the alarm clock rings, I will resist the temptation to turn around to the other side and sleep some more. I'll get up and enjoy the silence and stillness of the early morning having breakfast the way I like it best: slowly and in the company of a good book (not sitting by the PC checking work-related e-mails as I often do);


Today, I
will walk: in the fields, around our home, or in town, leaving 10 minutes earlier than usual and parking the car further away from my destination. If I do this repeatedly, I will end up creating a habit and in the long-term I'll improve my health and contribute a little bit to a better environment, while saving some money at the same time;


Today,
during work time, I'll work with commitment and an open mind to see all that that my work has that is good and interesting, how I can do it better and I'll take note of things that I'd like to further develop, through research or training. If I do this regularly, I'll be more productive and improve my resume, which can only have long-term positive outcomes;


Today , when
I go through the coffee shop, I will say no to cake and coffee, and grab the yummy piece of fruit or homemade cookie I have put earlier into my bag. In the long run, my teeth will thank me, and my wallet too.


Today , when I feel like giving in to laziness and sit on the couch staring at the TV while the kids
prepare to do the same on their computers, I will invite them to play a game with me, to read a book together or make a card for a family member who lives far away. In the long term, they will grow up more balanced and family relationships will grow stronger;


Today, I
will make a shopping list for the week, looking first at what we have in the fridge and the pantry, and then at the supermarket flyers, trying to take advantage of current sales and discounts. This means some work and requires time, but I believe it is worth it because it guarantees a series of healthier meals and more convenient prices (plus less time wandering about supermarket ailes).


T
his list could be longer, but the important thing is that tonight, when I go to bed, I will look back into the day and feel satisfied for having given a few more steps, however small, in the direction I have chosen: a united and healthy family, a fulfilling job, a slightly better environment and a more economically stable future.